Amarrações feitas em cemitério

O erudito bizantino Michael Psellus, ( n. 1017), foi um autor que fez varias menções aos grimórios de magia negra do rei Salomão , e dos seus saberes que permitiam invocar e controlar demónios. Na sua obra De Deamonibus, faz-se menção ao uso de cemitérios e corpos de defuntos para a celebração dos mais fortes trabalhos de magia negra.

Também o filosofo Porfírio de Tiro (233 – 305 d.C), na sua obra De Sacificiis, faz igual menção. Afirmavam estes notórios eruditos, que uma alma assim que libertada do corpo pela morte, ela volta a adquirir os poderes e virtudes normais de uma alma; porem, essas almas acabadas de desencarnar deste mundo, ainda mantem algum contacto com a sua antiga habitação – o corpo agora defunto –    , e por isso, se forem adequadamente chamados através do meios certos, eles pairam e assombram os seus antigos corpos, e podem até ser invocados em magia negras. E é por isso, que as bruxas da antiguidade, fazendo uso de certas partes de certos defuntos, invocavam ás almas de mortos para realizarem os mais temorosos trabalhos de magia negra. Porem, as bruxas procuravam sempre por corpos defuntos que albergassem almas penadas, pois as características infernais e contaminadas de pecado de uma alma condenada são as ideais para serem usadas num trabalho de magia negra, tal conforme o são os espíritos demoníacos. Por isso mesmo, as bruxas procuravam sempre por corpos de condenados á morte por crimes pecaminosos, ou pessoas que morreram sem receberem os santos sacramentos dos ritos funerários, ou quem houvesse falecido sem ser baptizado. Todas essas criaturas dão origem a almas penadas, almas condenadas a vaguear pela terra sem perdão nem repouso. Tais almas, são precisamente as adequadas para invocar num trabalho de magia negra, pois irão infestar a vitima do bruxedo com assombrações, aparições , temores e padecimentos sem igual. Destas técnicas de bruxaria, existem registos históricos documentados desde há séculos. O historiador Romano CornéliusTacitus ( 56 – 120 d.C),  na sua obra dá nota de um bruxo de nome Piso, menciona como o bruxo procurava pelos restos mortais de certos defuntos nos cemitérios, assim como fazia feitiços inscrevendo os nomes das vitimas em placas de chumbo que depois era soterradas junto das tumbas de certos defuntos. Um desses bruxedos foi dirigido a um homem de nome Germanicus, havendo o seu nome e uma maldição sido escritos numa folha de chumbo, havendo depois a folha sido enrolada e amarrada com uma corda na qual se deram vários nós mágicos, acompanhados de certos encantamentos de magia negra. A placa foi depois soterrada numa sepultura de um defunto amaldiçoado, e na verdade passados tempos o homem começou a enfraquecer misteriosamente. O contágio deste tipo de bruxaria é inescapável e fatal. Destes factos falou também o escritor Romano Apuleio ( n. 125 d.C), quando relembra que em Larissa, na Tessália, as bruxas usavam «dos corpos dos mortos para trazer calamidade ao vivos». Estes autores mencionam igualmente que na feitura das suas magia negras, as bruxas usam não apenas de parte dos defuntos, como igualmente de objectos associados á sua morte, como os grilhões nos quais estiverem aprisionados, pedaços de roupa que usaram no momento da morte, pedaços de uma cruz onde houvesse sido executados, pois que tais objectos impregnados de morte, eram susceptíveis de ser usados na invocação de mortos com grande sucesso. Outro dos mais fortes ingredientes usados em fórmulas de invocação de espíritos de mortos, são os resultados dos nascimentos abortivos das mulheres. Nicolas Remy ( 1530 – 1612), foi um demonologista Francês que presenciou pessoalmente vários casos verídicos de bruxas, bruxaria e trabalhos de magia negra.  Com as conclusões que retirou das suas experiências e observações, Nicolas Remy escreveu a obra «Demonolatreiae», publicado em 1595. Na sua obra Demonolatreiae, Remy faz nota que este meio era usado em bruxarias de magia negra com a finalidade de se alcançarem os mais queridos desejos. Petrus de Abano ( 1257 – 1315) foi um célebre médico e bruxo que deixou vários escritos ocultos que revelam como fazer uso dos resultados dos nascimentos abortivos das mulheres em fortes trabalhos de magia negra. Esses resultados abortivos são especialmente poderosos na magia negra, pois vem contaminados com dois poderosos pecados: o primeiro deles é o pecado do acto abortivo em sí que é proibido pela Igreja, e o segundo deles é tratarem-se de minúsculos corpos nos quais já encararam almas, mas que nunca conheceram a salvação do Baptismo. O célebre ocultista Agrippa von Nettesheim, ( 1486 – 1535), um contemporâneo de Faustus – o notório doutor que fez o lendário pacto com o demónio –, e autor do influente «De occulta Philosophia» (1531-33), também faz nota deste meio de produzir as mais fortes magias negras. No século XVI, o célebre demonologista Remy dava nota de como na Lorena Alemã, as bruxas realizavam notórios Sabbat satânicos nas montanhas de Vosgues, assim como nas florestas de Haye e Verdum, onde no decorrer de ritos satanistas empregavam restos abortivos que eram mergulhados  em caldeirão de bruxa. Foi nessa localidade, que por volta dos anos de 1586 as famosas bruxa Anna Ruffa e bruxa Lolla usaram dessa técnica para produzir pós mágicos e unguentos mágicos lendários, pois que geravam resultados espantosos nos seus trabalhos de magia negra. Na mesma época, também a bruxa Catharina de Metingow reduzia esses restos abortivos a cinzas, com que depois pulverizava a imagem da vitima que se pretendia amarrar com uma amarração, sendo que a criatura embruxada era contaminada por uma infestação demoníaca de tal ordem, que ou cedia mansamente ao mandante do bruxedo, ou acabava por sofrer os mais atemorizantes pavores e tormentos até ao ponto da sua desgraça. Porem: o facto é que a vítima nunca mais se livrava do bruxedo, nem de quem a mandou embruxar. Nunca mais. E é justamente esse o resultado de uma amarração de magia negra. Este tipo de amarrações feitas com ingredientes recolhidos em cemitério, ou celebradas em cemitério,  pode por vezes ocorrer não prorpiamene no terreno de um cemitério, mas também em locais onde se encontram restos mortais. Por volta dos anos de 1586, havia uma famosa bruxa na localidade de Metzerech, chamada a bruxa Joanneta. A bruxa Joanetta havia tido uma criança que faleceu prematuramente, e sepultou-a não num cemitério, mas sim numa certa divisão da sua casa. A verdade é que dai em diante, o espírito da criança deambulava pela casa, e foi naquele mesmo quarto onde a criança estava secretamente sepultada, que a bruxa erigiu um altar de magia negra. Desde então que a bruxa era também visitada por um diabinho de nome Rousgen, um pequeno demónio em forma e tamanho de criança que fazia cumprir todos os bruxedos por ela celebrados. Em consequência disso, sabia-se que os trabalhos de magia negra da bruxa Joanetta eram poderosos, e os seus bruxedos contagiavam qualquer pessoa que ela desejasse com fortes infestações de assombrações, aparições e espíritos. Dessa forma, as amarrações da bruxa Joanetta eram temidas e imensamente requisitadas, uma vez que a vítima ficava condenada a ir-se entregar mansamente a quem a mandou embruxas. Entregando-se, acabavam os tormentos e assombrações. Porem, teimando em resistir, então os padecimentos, assombrações e tormentos persistiam e perseguir a vitima, até ao ponto da sua desgraça. È esse o resultado de uma amarração de magia negra, pois fosse como fosse,  a vitima da amarração nunca mais se livrava do bruxedo, nem da sombra de quem a mandou embruxar. Nunca mais. Não há escapatória.

Outras bruxas famosas pelos seus trabalhos de magia negra celebrados em cemitério, foram as bruxas de Guermingen. Chavam-se as bruxas de Guermingen porque eram frequentemente vistas no cemitério da terra que tinha esse mesmo nome. Foi ali que as bruxas sepultaram os seus pais, também eles bruxos, e era ali que elas realizam fortíssimos trabalhos de magia negra. Nesses trabalhos, as bruxas chegaram a usar de restos abortivos que resultavam das suas próprias relações carnais com demónios incorporados em homens, sendo que esses restos eram reduzidos a uma gordura que depois era usada para fabricar um unguento magico. As bruxas usavam esse unguento magico no seu próprio corpo nú para invocar a presença de demónios, e o método era infalível, tal era a profana heresia dos seus métodos de magia negra, o que muito agradava a Satanás. A pomada mágica era também usada para ungir velas representativas das vitimas que queriam embruxar, e com as quais as bruxas realizavam sinistras amarrações nos cemitérios. A verdade é que as amarrações contaminavam com grande intensidade as suas vítimas, e produziam resultados invulgares. Esses trabalhos de magia negra eram feitos com um unguento produzido com os seus próprios restos abortivos, sendo a pomada ungida em velas previamente baptizadas com o nome da vitima do bruxedo, e ás quais as bruxas dirigiam a vara magica que o Diabo lhes tinha concedido em Sabbat satânico aquando do seu baptismo, ao mesmo tempo que entoando encantamentos satânicos.Dessa forma, as bruxas produziam as mais fortes amarrações de cemitério.

Um dos demónios normalmente invocados pelas bruxas quanto vão a cemitérios ou locais onde estão defuntos, para dali recolherem ingredientes para os seus bruxedos, ou para ali realizarem as suas bruxarias, é o demónio Bune. O demónio Bune é o demónio associado a cemitérios, túmulos, e todos os sítios assombrados, desde edifícios assombradas, encruzilhadas onde ocorrerem mortes, etc. Por estar profundamente associado aos mortos, aos cemitérios e a todos os locais assombrados, dirigem-se-lhe sempre requerimentos de autorização quando se vao praticar trabalhos de magia negra em tais locais. Lewis Spence  (1874 – 1955), notório ocultista escocês e autor da «Enciclopaedia of Occultism» ( 1920), faz notar que Bune assume sempre a forma de um homem, e fala calorosamente. O demónio Bune acerca-se de cadáveres, assombra cemitérios, e comanda os demónios que habitam em redor de túmulos e lugares dos mortos. Bune tem o poder de enriquecer quem o agradar, e porem também pode trazer-lhe a morte, pelo que lidar com este demónio é perigoso se não for feito por alguém profundamente conhecedor dos seus mistérios. Os demónios que pertencem á legião que serve a Bune chamam.se de Bunis, e tem uma reputação temível, pois são malévolos. A maioria dos bruxos que trabalham em cemitérios acabam sempre por se relacionar com este demónio, ou com algum dos seus soldados.

O notório demonologista Johanes Weyer ( 1515 – 1588), discípulo do célebre ocultista Cornelius Agripa ( 1486 – 1535), e autor do influente Pseudomonarchia Daemonum , também faz nota destes meios para gerar as mais temíveis bruxarias de magia negra. Segundo Gaius Plínio, (23 – 79 d.C), prostitutas e bruxas mantinham um consórcio infernal, através do qual umas forneciam os seus restos abortivos, para que as outras retribuíssem com os mais temíveis e fortes feitiços. E alguns dos mais fortes trabalhos de magia negra que eram solicitados em troca desse favor das prostitutas á bruxas, eram as amarrações. Algumas das mais ricas e influentes meretrizes do império Romano, beneficiavam desses fortíssimos bruxedos de amarração para manterem aprisionados os seus mais ricos e poderosos amantes, sempre com grande sucesso. Tais amarrações tornaram-se por isso lendárias, e houve meretrizes que através desses meios, alcançaram riquezas fabulosas.

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