Amarrações do galo preto

Desde há séculos, que as amarrações do galo preto são míticas. Em 1324, o Bispo de Ossory testemunhou como a bruxa Alice Kyteker de Kilkenny, na Irlanda, usava de hóstias consagradas num altar de magia negra, onde se celebravam profanas missas negras ou missas satanistas. A hóstia satânica estava profanada, pois tinha estampada o nome do Diabo ao invés da figura de Cristo, e junto ás hóstias estava uma bisnaga de unguento mágico com o qual a bruxa untava uma vara magica. Aquelas hóstias haviam sido consagradas numa missa negra, e foram tomadas pela bruxa Alice, assim como pelo seu amante Goety no decorrer de um rito de sacrilégio e lascívia, celebrado com a intenção de lançar uma forte bruxaria para a amarração daquele que seria o quarto marido da bruxa. Antes desse rito, a bruxa Alice tinha sacrificado nove galos pretos numa encruzilhada a fim de invocar o seu espírito demoníaco familiar, cujo o nome era Robin, e que tendo respondido ao chamamento, foi incorporar no seu amante Goety através de uma possessão demoníaca. Juntos, a bruxa e o demónio incorporado celebraram uma profana missa negra, na qual se celebrou uma forte amarração. O sacrifico de galos pretos é muito agradável aos demónios.

Um notório bruxo de nome Louis Graufidi ( f. 1610), afirmava que um galo preto estava presente nos Sabbat das bruxas, sendo que quando ele cantasse, terminava a reunião. São Prudêncio ( 348- 410), dizia que os ritos demoníacos celebravam-se durante a noite, até ao cantar do galo. Tendo o galo cantado, então terminam as cerimonias do demónio, pois que os ritos de Satanás cessam, quando os ofícios da Igreja começam. Por isso mesmo, nos tempos de são Benedicto ( 1526- 1589), logo ao raiar do dia iniciavam-se cânticos religiosos, aos quais se chamavam «Gallicinium», em honra do galo que anunciava o nascer do dia que trazia a luz de Deus, e o cessar das actividades das assombrações e dos demónios. Os antigos Judeus, acreditavam que o bater das asas de um galo podia enfraquecer o poder dos demónios, e dos bruxedos das bruxas. Nicolas Remy( 1530 – 1612), foi um demonologista Francês que presenciou pessoalmente vários casos verídicos de bruxas, bruxaria e trabalhos de magia negra.  Com as conclusões que retirou das suas experiências e observações, Nicolas Remy escreveu a obra «Demonolatreiae», publicado em 1595. Nicolas Remy falou certa vez com a notória bruxa Latoma, que lhe disse que o galo era desprezado pelos demónios, por ser considerado um arauto de Deus, um paladino da luz, um mensageiro da cristandade, despertando os homens para a adoração a Deus, afastando-os dos pecados com que as trevas da noite os infestam através da bruxaria.  Assim, para os sacerdotes cristãos o galo que anunciava o nascer do dia e do Sol, e assumia-se como um símbolo da luz de Deus que diariamente vence as trevas. Pois por o galo ser tao importante e precioso para estes fiéis de Deus, diz-se que o Diabo o adoptou como oferenda a ser-lhe sacrificada em ritos de magia negra, enquanto símbolo da sua vitoria sobre aquele que era um paladino da luz Deus. E de todos os galos, preferiu o preto. E por isso mesmo, é que a oferenda do galo preto e do seu sangue, se tornou um elemento tradicional na magia negra, e um elemento agradável aos demónios invocados. Sacrificando um galo preto, esta-se a sacrificar um arauto da luz, e esta-se a silenciar o detestável cantar que anuncia a alvorada. Isso agrada aos demónios, e daí o galo preto ter esta importância simbólica, cuja a origem poucos conhecem.

Na altura da Natividade, o galo canta toda a noite anunciando o nascimento de Cristo, assim irrompendo pelas trevas da noite dentro, perturbando a impura obra de demónios e bruxas. Por causa do galo que cantou á noite anunciando o nascimento de Jesus, em Portugal celebra-se a Missa do Galo, ou Missa da Natividade, ao passo que em certas regiões de Espanha, houve tempos já idos em que era costume levar-se um galo á missa da natividade, pois que cantando o galo durante essa missa, isso era bom pressagio para o ano inteiro.

O uso de sacrifícios de galo preto era por isso muito frequente, tanto na celebração de missas negras, como na feitura de bruxarias. Por volta dos anos de 1614, o notório bruxo Gentien le Clrec exercia o seu oficio de magia negra com grande reputação, e frequentava Sabbat satânicos nos quais um padre satânico erguia uma hóstia na qual estava impressa a imagem do Demónio, ao pelo tempo que o sangue de um galo preto era derramado aos pés do altar. Por volta dessa mesma altura, também o padre Thomes Boullé e o abade Picard celebravam missas negras com iguais ritos. O abade Picard era um padre franciscano que havia sucumbido ao chamamento dos demónios, havendo celebrado pacto com o Diabo, e sendo um praticante de fortes trabalhos de magia negra. O seu nome era famoso nos círculos do oculto, e os seus serviços em trabalhos de magia negra eram requisitados pela elite da nobreza e aristocracia, pois os seus resultados tinham grande reputação. O padre Picard era um padre satânico, e acabou por aliciar Madelaine Bavent ( 1607-1647), uma freira do convento franciscano de Louviers, a entrar pelos mesmos caminhos da magia negra. As suas amarrações eram famosas por toda a França do seculo XVII. No seculo XVI, o teólogo Napolitano Paulo Grilland escreveu sobre bruxaria e magia negra, descrevendo como durante missas negras as hóstias profanadas ao serem borrifadas com sangue de galo preto, e depois usadas no bruxedo que se pretende, ampliando assim a força desse trabalho de magia negra. Tais práticas remontam já aos tempos da Antiguidade. Em Roma, sabia-se como uma notória prostituta que também era bruxa, mergulhava bolachas dedicadas ao Deus Apolo em sangue de galo preto ao mesmo tempo que entoava certos encantamentos, e assim realizando bruxedos que deixavam os homens aos seus pés. Grilland menciona também como certos padres satânicos profanavam o Cânone da missa, e na hora de dar a tomar a hóstia derramavam sangue de galo preto, ao mesmo tempo proferindo orações lascivas, como parte de um secreto mas fortíssimo bruxedo de amarração.

Por tudo isso, é que com estes ritos celebrados em missa negra e usando de nove galos pretos, a bruxa Alice Kyteker lançou uma forte amarração sobre aquele que viria a tornar-se o seu quarto marido. Com estas célebres amarrações, a bruxa conseguiu para si quatro maridos ricos, e todos eles lhe deixaram consideráveis fortunas em consequência das artes de magia negra. Por isso mesmo, a fama da bruxa Alice era tal, que lhe chegavam incontáveis solicitações vindas dos quatro cantos do Reino Unido, requerendo os seus préstimos ocultos. As suas bruxarias eram famosas, e as suas amarrações tornaram-se lendárias.

 

O caso das bruxas de Somerset, foi um dos casos mais importantes nos anais da história da bruxaria, e deu origem a um documento de investigação de 1681, que relata a sua existência das bruxas, e dos espantosos eventos observados. O caso teve particular significância, porquanto foi um dos poucos casos em bruxas e bruxas admitiram livremente a sua existência, e a sua filiação numa comunidade de bruxas. Por volta de 1660, haviam duas grande colmeias de bruxas activas na região do condado de Somerset, na Inglaterra. Ambos eram presididos pelo Diabo, que se dava a manifestar incorporando num homem através de possessão demoníaca, e apresentando-se sempre sob o nome de Robin. Uma bruxa de nome Ann Bishop era a rainha de uma das colmeias de bruxas constituída por seis bruxas e oito bruxos.  A outra colmeia de bruxas era composta por onze membros, sendo dez mulheres e apenas um homem. O homem apresentava-se sempre vestido de negro, com uma máscara com face e cornos de bode, e nunca ninguém soube a sua verdadeira identidade, uma vez que após a extinção daquelas colmeias de bruxas, o homem esfumou-se para nunca mais ser visto. Ambas as colmeias de bruxas realizaram sabbats satânicos nocturnos, nos quais o diabo sempre se fez manifestar, fosse apenas em espírito, ou fosse encarnado num homem. Quando algumas das bruxas por algum motivo não podia ir ao Sabbat fisicamente em carne-e-osso, então visitava-o e participava dos ritos em espírito, pois para isso tinha recebido um unguento mágico. Nesses Sabbats as bruxas participavam num farto e abundante festim cuja a refeição era proporcionada pelo Diabo. Os festins das bruxas de Somerset constavam de carnes, bolos que eram um despertar irrecusável da gula e quantidades generosas de cerveja e vinho, tudo providenciado pelo Diabo. Há quem falasse de um bolo mágico, que era servido no final das refeições, e que proporcionava sensações indescritíveis. Depois da refeição, as bruxas dançavam. As suas danças em torno de um caldeirão ou e uma fogueira, realizavam-se sempre no sentido oposto ao dos ponteiros do relógio, simbolizando isso a oposição ás convenções cristãs.  Era o momento em que os demónios tomavam as bruxas, que se lhes entregavam em ritos de profana luxuria e devassa lascívia. As pecaminosas heresias e abominações carnais tomavam conta dos ritos, para grande deleite do Diabo. Apos o banquete e as danças, as bruxas realizavam vários trabalhos de magia negra. Nesses trabalhos de magia negra, as bruxas cravavam agulhas ou espinhos em bonecos de cera, assim como os polvilhavam com pós mágicos, com ervas de magia negra, e ungiam-nos com sangue de galo preto oferendado do demónio em rito satânico. Os bonecos eram baptizados pela própria mão do Diabo, assistido que era no baptismo por duas bruxas que representavam as madrinhas de baptismo. O boneco uma vez baptizado com o nome da pessoa que se desejava embruxar, gerava uma relação espiritual com a própria vítima da bruxaria. Tudo aquilo que fosse por isso feito no boneco, acabaria por suceder na vítima, e em carne-e-osso. No final do Sabbat, um galo negro era oferendado ao Diabo, conforme um galo negro tinha sido oferecido para o invocar.. Um trabalho de magia negra feito nestes Sabbats ficou famoso por volta de 1664, pois que um boneco foi baptizado com o nome de um homem chamado Dick Green, e passado pouco tempo o homem veio a falecer em circunstâncias inexplicáveis, tal conforme lhe tinha sido destinado no boneco. Todas as amarrações celebradas conforme estes ensinamentos, e usando da oferenda de galo negro em rito de magia negra, eram imparáveis e contaminavam a vitima da mais inescusável possessão demoníaca. Dai em diante, ou a vitima cedia ao bruxedo e se ia entregar a quem a mandou embruxar, ou então sofria os padecimentos dos infernos até ao ponto da desgraça. Cedendo ao bruxedo, a vitima tinha alivio. Porem, teimando em resistir, então os castigos e tormentos persistiam a atormentar a vitima, até á sua desgraça. Fosse como fosse, nunca mais a vitima se livrava do bruxedo, nem de quem a mandou embruxar. Nunca mais. Não havia escapatória.

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